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terça-feira, maio 31, 2011

Vulto

Um quadro de vultos
Ocultos ao olho humano,
Promíscuos e entrelaçados
Na intimidade que lhes precede.

Sentem-se ameaçados
Pela intriga e os mirones.
Mas dois vultos humanos não temem a morte.

Se não passam de sombra
Não tem identidade.
Amam sem preconceito e finalidade.

Nus, Puros, crus e inconsequentes.
Amam como sentem,
Sentem como se fossem gente.

No fundo são apenas dois corpos insaciados.
No amor e no sexo não existem regras nem espaços.
Sem embaraços,
Faz como os vultos incautos e deixa-me liberta.
Incerta do que nos precede.

Escreve a sangue no meu corpo,
Que este é apenas teu.
Quem lhe tocou morreu.
És o único a ter-me.
Serás o último a ver-me.

quinta-feira, outubro 28, 2010

"Controvérsia Física, Atracção Mental"

"Controvérsia física, atracção mental."
Distância ignóbil ao nível do real,
Sangue no branco
De quem o acha fatal.

Esmorece e esquece.
Apenas me viste aos olhos de quem ama
E não aos olhos de quem quer ver.

O físico e todo o real,
O Mental não supera o banal.
Vês-me sorrir…

Quando me fecho no quarto
Choro, esperneio, grito profana e blasfema,
Invoco teu nome em vão!

E tu… nada vês...

Imagens faíscam nas tuas sinapses,
Nenhuma delas é real,
Nenhuma delas chora lágrimas sofridas!

Vãs memórias de sorrisos trocados,
Manias aprendidas
E lábios entrelaçados,

Desvaneçam e esmoreçam
Que de nada servem para aliviar
O que em mim reside morto
Imposto pela ignorância carnal.
Afinal, a luxúria é um capricho universal.

Nem depois do vermelho,
Nem limpando a Inocência
Tu vês o que me tiras-te
Não lutas-te sequer para escalar as paredes do abismo,
Não puxaste minha mão para ir a teu encontro,
Limitas-te a observar enquanto a minha loucura progredia.

Fiquei sentada à espera
Por entre a bruma densa do norte
Sentia-te apenas sem nunca te tocar,
Tudo o resto era uma imensidão de nada.

Mas agora sim, senti o ardor daquela bruma
Que me gelou até aos ossos,
Senti tudo o que até então tinha ignorado
Naquele negrume em que tudo eras tu,
E eu não era nada.

Continuo sem ser.
Apesar de viver, a ti pertenço,
Tua mão prende-me firme à orquídea que em tempos cuidas-te.

Não me deixas ir,
Não entendo
Não estás feliz?
Assertividade da minha juventude perdeu-se em ti.
Perdeu-se num nós que nunca existiu.
E eu sentada assisti,
À maceração do nada que era,
Do nada que fomos,
Da orquídea que eu idealizei.
Nem quando não a encontrei
Achei a sua inexistência.

Afinal encontro-me presa à tua mão apenas.
Não luto para me soltar,
Não luto para fugir da sensação do abismo.
Não quero ver para lá do vermelho…

Agora Esmorece e esquece…


quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Enlaces de um amor Longinquo

Todas as noites chamo por ti
Por entre a bruma densa do norte,
Esperando petrificada no escuro.
Dispo-me de luxos e agarro-me ao futuro

Sei que me ouves no monte da lua,
Por entre a tua floresta de orquídeas,
Qual bardo que aguarda minha chegada
Mas se me não vens guiar,
Acende-me um farol para me encontrar.

Cega e Langue,
Pelas injúrias do teu amor,
Perdi-me na alegoria rítmica das palavras,
Na dialéctica desse lúgubre encanto
E agora, perdida e cega no escuro,
Despreendo-me de luxos e agarro o meu futuro

Leva-me para o teu jardim
Onde guardas as tuas mais preciosas flores,
Ama-me como se nada fosse
E como se o nada fossemos nós

Porém grito teu nome sem respostas,
Meu ópio que me corre nas veias
Graças a ti,
Amo quem não tenho
E desprezo quem me tem.
Deixas-me cega e perdida no escuro.
Dispo-me de luxos e agarro o meu futuro

Ainda sinto nos lábios
O gosto dos beijos que estão para vir,
Sinto na pele os toques que nunca senti,
Sinto saudade do que nunca vivi,
Foi o perfume de tuas palavras
Que se apoderou de mim.

“Controvérsia física, atracção mental”.
Estou farta deste abismo irreal
Onde a idade é um número,
Onde apenas te vejo a ti meu futuro
E mesmo assim nada vi.
Cega por entre o escuro
Dispo-me de luxos e choro o meu futuro