Sangue no branco
De quem o acha fatal.
Esmorece e esquece.
Apenas me viste aos olhos de quem ama
E não aos olhos de quem quer ver.
O físico e todo o real,
O Mental não supera o banal.
Vês-me sorrir…
Quando me fecho no quarto
Choro, esperneio, grito profana e blasfema,
Invoco teu nome em vão!
E tu… nada vês...
Imagens faíscam nas tuas sinapses,
Nenhuma delas é real,
Nenhuma delas chora lágrimas sofridas!
Vãs memórias de sorrisos trocados,
Manias aprendidas
E lábios entrelaçados,
Desvaneçam e esmoreçam
Que de nada servem para aliviar
O que em mim reside morto
Imposto pela ignorância carnal.
Afinal, a luxúria é um capricho universal.
Nem depois do vermelho,
Nem limpando a Inocência
Tu vês o que me tiras-te
Não lutas-te sequer para escalar as paredes do abismo,
Não puxaste minha mão para ir a teu encontro,
Limitas-te a observar enquanto a minha loucura progredia.
Fiquei sentada à espera
Por entre a bruma densa do norte
Sentia-te apenas sem nunca te tocar,
Tudo o resto era uma imensidão de nada.
Mas agora sim, senti o ardor daquela bruma
Que me gelou até aos ossos,
Senti tudo o que até então tinha ignorado
Naquele negrume em que tudo eras tu,
E eu não era nada.
Continuo sem ser.
Apesar de viver, a ti pertenço,
Tua mão prende-me firme à orquídea que em tempos cuidas-te.
Não me deixas ir,
Não entendo
Não estás feliz?
Assertividade da minha juventude perdeu-se em ti.
Perdeu-se num nós que nunca existiu.
E eu sentada assisti,
À maceração do nada que era,
Do nada que fomos,
Da orquídea que eu idealizei.
Nem quando não a encontrei
Achei a sua inexistência.
Afinal encontro-me presa à tua mão apenas.
Não luto para me soltar,
Não luto para fugir da sensação do abismo.
Não quero ver para lá do vermelho…
Agora Esmorece e esquece…